Apresentação

21/08/2009

Decidir sem informação é dar um tiro no escuro. Foi pensando nisso que se criou o blog InfoArmado, que procura abordar de uma forma didática e bem humorada o processo de transformação de dados em informações úteis para a tomada de decisão. Aqui você encontra artigos e discussões sobre gestão da informação, coleta e análise de dados e tomada de decisão. Bem vindo!

Saiba mais sobre o autor desse Blog.


Informação e Interpretações

27/10/2011

Quero usar esse texto fantástico do escritor Fabrício Carpinejar para ilustrar que as decisões são tomadas com base na interpretação, e não na informação nua e crua. Eis um cuidado a se tomar quando se passa ou se recebe uma mensagem: diferentes interpretações podem ser geradas para uma mesma informação. Forma, conteúdo e contexto precisam trabalhar juntos para uma comunicação bem sucedida.

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SACOLEIROS DO DIVÓRCIO

Eram separados recentes. Mariana e Renato já tinham atravessado o apocalipse do primeiro mês, momento crítico em que se torce deslavadamente para a tragédia do ex. (Torcer é um eufemismo, rezava-se para que o divórcio logo se transformasse em viuvez. Quem passou pela fossa sabe do que estou falando: o desejo 24 horas por dia para que o outro morra, desapareça da face da Terra, evapore da humanidade. E que seja uma morte retumbante, com ampla repercussão nas redes sociais, esmagado pelo Arco da Redenção, ou atropelado por uma bicicleta na ciclovia do Gasômetro).

Os dois curtiam a segunda fase da separação: a curiosidade do ódio, aquele período fundamental em que se paga por informações para descobrir como o nosso antigo par está reagindo ao luto. Mariana e Renato queriam porque queriam notícias, adoeciam de ansiedade para desvendar se o ex engatou um novo relacionamento e esqueceu o passado, mas não poderiam se telefonar. Soaria suspeito ligar para os amigos perguntando, ficaria muito na cara o interesse, representaria uma recaída. (Ansiedade não é o nome certo, talvez seja medo de que o ex seja feliz primeiro. Existe uma competição oculta entre os separados: quem sai mais nas baladas, quem emagrece mais, quem tem mais amigos no Facebook, mais seguidores no Twitter).

Ambos psicanalistas, lacanianos assumidos, Mariana e Renato não se sentiam à vontade usando a filha Marisa, de três anos, como garota de recados. Viviam criticando essa atitude, quando a criança é intermediária da crise, uma espécie de mula do tráfico amoroso, levando ofensas e indiretas entre os lares.

Mas Mariana e Renato encontraram um modo inteligente de se comunicar: as sacolas das lojas. A filhota chegou para dormir na casa do pai com os pertences numa sacolinha de caríssima loja feminina de sapatos, onde cada par não custava menos de R$ 500. Aquilo irritou o homem: “Eu sofrendo para pagar a pensão e ela gastando os olhos da cara”. Para quê? Não deu outra: a filha voltou para a mãe com sacolinha de grife masculina. Mariana reparou na marca Armani e se enfureceu: “Comigo, ele vivia de abrigo molambento, velho, agora torra tudo o que não tem com terno, deve estar apaixonado por alguma piranha”. A reação veio no final de semana seguinte. Providenciou que a filha visitasse o pai com uma sacola de free shop. Renato bufou: “Agora a cretina viaja ao Exterior! Ao meu lado, só íamos almoçar na sogra em Cachoeirinha”. Preparou a vingança mais do que perfeita, apareceu numa rede de lingerie para pedir uma sacola emprestada na maior cara de pau, comportou as coisinhas da filha lá dentro e teve sucesso. Sua desafeta predileta babou, esperneou e ralhou que não aguentava a provocação: “Ele nunca comprou um sutiã para mim, sequer conhece o número do meu peito, agora o pilantra distribui peças íntimas para suas namoradas”. Após sete dias, apelou de vez e pôs as roupinhas da menina numa bolsa plástica prateada e fosca, própria de sex shop.

Foi um golpe baixo. Renato perdeu a educação dos símbolos, pegou o telefone e rompeu o silêncio:

– Da próxima vez, pode mandar os objetos da nossa filha numa sacola que não seja de sacanagem?
– Por quê? Está com ciúme? – pergunta Mariana.
– Não, imagina, deixa pra lá…

E começava a terceira e última fase da separação: a hipocrisia, fingir que nada mais é importante.

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Fonte: http://carpinejar.blogspot.com/
Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 25/10/2011
Porto Alegre (RS), Edição N° 16866


Não leram o manual de instruções

17/07/2011

Para divertir: Agir sem compreender o contexto pode dar nisso.

Moral da história: informe-se antes de iniciar uma atividade (isso pode facilitar muito a condução do trabalho).

 


O Efeito das cores no cérebro

17/07/2011

A gestão da informação também envolve usar a cor como um recurso importante na comunicação - CLIQUE PARA AMPLIAR

Fonte: Revista PEGN

Reportagem Original: Como saber o que se passa na cabeça do consumidor?


Escuta permanente X Pesquisas pontuais

07/07/2011

A cada eleição surgem novas críticas ao processo de pesquisa eleitoral. Como podem as pesquisas apontar vitória em primeiro turno? Como podem as pesquisas não ter capturado a evolução do percentual de votos da Marina Silva?

Todos se apegam à diferença entre o resultado efetivo obtido na eleição e a margem de erro apontada nas pesquisas, mas esquecem de um ponto fundamental. A pergunta que se faz é: se as eleições fossem HOJE e os candidatos fossem ESTES, em quem você votaria? O que a pesquisa captura é algo PONTUAL. O contexto muda rapidamente (e a opinião das pessoas acompanha o contexto).

A pesquisa vem sendo tratada como um processo pontual: planejada e realizada para trazer maiores informações sobre um ponto de preocupação específico em um momento específico. Na sua concepção clássica, a pesquisa é um processo onde se tem definido o que se deseja saber, se elege uma amostra que possui uma certa representatividade em relação ao público de interesse e que permite ao pesquisador falar ou projetar sobre o que pensa um certo público naquele momento.

Contudo, usando praticamente os mesmos recursos técnicos da pesquisa tradicional (mas mudando a filosofia), é possível criar um canal de escuta permanente com os públicos que interagem com a organização ou convivem em um determinado ambiente, e, assim, capturar mudanças de postura, comportamento ou avaliação no momento em que elas ocorrem.

Em uma escuta permanente, dá-se a chance de todos os indivíduos participarem sempre que quiserem (quando se sentirem motivados ou incomodados com algum contexto que se relaciona ao assunto de interesse suscitado pelo pesquisador). Parte-se, aqui, da premissa que todas as pessoas que compõem o público de interesse (devidamente mapeado) possam opinar (e mudar de opinião) e o pesquisador tenha condição de acompanhar o reforço da opinião (ou a justificativa da mudança) em tempo real.

Capturar quais são os pontos que vêm preocupando o eleitor, como ele vê que o candidato A ou B está tratando daquele tema, em que o debate mudou sua opinião, é um desafio que vem sendo enfrentado com bastante dificuldade pelas pesquisas. Eis aqui a diferença fundamental entre escuta permanente e pesquisas pontuais: sabe-se onde a mudança aconteceu e o que motivou essa mudança (e não somente que X% pensava de uma forma e que agora somente Y% pensam assim). Cada pessoa que desejar participar teria um formulário específico. E isso permitiria tratar de forma consolidada a evolução individual do comportamento/avaliação (e não somente o posicionamento coletivo).

Uma caracterização da escuta permanente

Existem 2 tipos de pesquisa Tracking:

1) Pesquisas longitudinais (onde o pesquisador mantém contato com os membros da amostra selecionados ao longo dos ciclos). Esse tracking é um pouco diferente da escuta permanente, no sentido que existe uma amostra (e parte dessa amostra pode se renovar a cada ciclo, em função de desistência)

2) Pesquisas com amostras independentes (onde é feita uma nova amostragem a cada ciclo). Um exemplo desse tipo são as tradicionais pesquisas eleitorais.

A Escuta permanente que propomos tem alguns diferenciais:

- É possível questionar o público sobre diferentes temas ao longo do tempo (geralmente em Tracking o tema é sempre o mesmo)

- Existe a possibilidade que todos os indivíduos que desejam participar, de fato, participem (pois toda a população-alvo é cadastrada).

- Filtragens permitem identificar o grupo que mudou de opinião, e assim questioná-los de forma mais aprofundada sobre o motivo da mudança.

 

A Evolução ocorre somente com base nos resultados consolidados

Evolução pode acontecer com base nas fichas individuais, nos resultados consolidados ou nos resultados considerando somente o segmento que alterou opinião/comportamento.

Artigo detalhado publicado em:

Freitas, H. F., & Costa, R. S. (2010). É chegada a hora de escuta permanente, não somente pesquisas pontuais. Revista Eletrônica GIANTI.


Informação adequada para uma decisão – O papel da estatística

01/02/2011

Recentemente vi uma reportagem no jornal O Globo mencionando que a Renault-Nissan está tomando uma decisão sobre investir na produção de carros elétricos (para ver a notícia, CLIQUE AQUI). Me chamou a atenção uma parte do texto que destaca a justificativa da decisão.

*Riscos*
O grande investimento da Renault-Nissan representa um grande risco. Atualmente, um carro elétrico com carga máxima tem autonomia para trafegar por cerca de 160 km, com uma recarga que leva aproximadamente 20 minutos.
Os críticos acreditam que essas limitações devem afastar muitos compradores em potencial. Mas Ghosn [Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan] argumenta que “80% das pessoas na Terra que dirigem um carro, dirigem por menos de 100 km por dia”.

O que está faltando para que a decisão de investir pesado nessa tecnologia seja mais embasada?
Que informações sobre a quilometragem rodada seria mais adequada nessa situação?

É importante prestar atenção na variabilidade desses dados. A decisão por construir uma fábrica de carros elétricos seria plenamente adequada se as pessoas usassem o carro por até 100 km a cada dia (e não na média diária de kilometragem).

Se alguém viaja 700 Km 1 vez por semana e mantém o carro parado nos outros 6 dias continua tendo uma média de 100 Km por dia (e se encaixaria na autonomia de um carro elétrico). Essa pessoa teria que parar cerca de 4 vezes para cumprir seu itinerário de viagem (e conseguir uma tomada elétrica para reabastecer o carro).

No caso específico da decisão da Renault-Nissan, além de saber a média, seria pertinente também conhecer:

1) a distribuição de freqüência acumulada até 160 Km (número de pessoas que circulam até 160Km quando usam o carro)

2) o desvio-padrão das viagens das pessoas (variabilidade na quilometragem)

3) o número de vezes ao ano que uma pessoa usa o carro para andar mais de 160 Km

Percebe-se, assim, que a análise de dados é algo que pode nos levar facilmente a um equívoco de interpretação. Conhecer técnicas de análise de dados e medidas estatísticas pode nos auxiliar a minimizar a chance de erro.


Consumidor força marcas a fazerem SAC através de redes sociais

27/01/2011

Interessante o post encontrado no Blog de Flammarion Cysneiros, que fala da implantação de SACs nas redes sociais. O uso de redes sociais como SAC, além de  permitir maior interatividade da empresa com o consumidor, facilita a análise consolidada dos dados (pois as interações são, na origem, registradas seguindo uma estrutura padrão).

Para ler o post, CLIQUE AQUI.

Mais informações sobre a manutenção de um canal de escuta permanente podem ser vistas CLICANDO AQUI.


Redes Sociais – Uma rica fonte de informações

25/11/2010

No post “Empresas também precisam de óculos“, falei de como os dados de diferentes fontes são importantes para definicão da estratégia de uma organização.

O video abaixo, da AgênciaClick ilustra como o monitoramento das interações nas redes sociais vem se tornando cada vez mais importantes na gestão.

É, o processo de pesquisa precisa ter o seu escopo ampliado…


Manipulação – Genial

21/11/2010

Um exemplo genial… e um cuidado a se tomar. O video abaixo mostra como dados torturados podem revelar o que quisermos.


Para divertir: Gráfico certo para cada ocasião

24/06/2010

Vejam como a escolha do tipo de gráfico pode facilitar a ilustração de um argumento (e a compreensão de um fenômeno).

… é, a escolha do gráfico faz parte do processo de pesquisa.

Créditos ao original: http://graphjam.com


Notícia: Internet e Gestão da Informação Decentralizada

20/06/2010

Notícia extraída do jornal Zero Hora de 19/06/2010: População pode usar internet para ajudar a solucionar crimes.

População pode usar internet para ajudar a solucionar crimes

Notícia Zero Hora - 19/06/2010

Eis um bom exemplo de como a Internet pode auxiliar na gestão da informação decentralizada. Indo além do escopo do site divulgado na notícia, é possível usar redes sociais para buscar a convergência de informações de diferentes fontes ou até mesmo para auxiliar na compreensão de elementos contextuais do crime que possam ser desconhecidos pela Polícia.

Tecnologia é o meio, Informação é o fim. Criatividade no uso da TI pode nos levar a pontos nunca imaginados.

Clique AQUI para ver a notícia na íntegra.


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