A cada eleição surgem novas críticas ao processo de pesquisa eleitoral. Como podem as pesquisas apontar vitória em primeiro turno? Como podem as pesquisas não ter capturado a evolução do percentual de votos da Marina Silva?
Todos se apegam à diferença entre o resultado efetivo obtido na eleição e a margem de erro apontada nas pesquisas, mas esquecem de um ponto fundamental. A pergunta que se faz é: se as eleições fossem HOJE e os candidatos fossem ESTES, em quem você votaria? O que a pesquisa captura é algo PONTUAL. O contexto muda rapidamente (e a opinião das pessoas acompanha o contexto).
A pesquisa vem sendo tratada como um processo pontual: planejada e realizada para trazer maiores informações sobre um ponto de preocupação específico em um momento específico. Na sua concepção clássica, a pesquisa é um processo onde se tem definido o que se deseja saber, se elege uma amostra que possui uma certa representatividade em relação ao público de interesse e que permite ao pesquisador falar ou projetar sobre o que pensa um certo público naquele momento.
Contudo, usando praticamente os mesmos recursos técnicos da pesquisa tradicional (mas mudando a filosofia), é possível criar um canal de escuta permanente com os públicos que interagem com a organização ou convivem em um determinado ambiente, e, assim, capturar mudanças de postura, comportamento ou avaliação no momento em que elas ocorrem.
Em uma escuta permanente, dá-se a chance de todos os indivíduos participarem sempre que quiserem (quando se sentirem motivados ou incomodados com algum contexto que se relaciona ao assunto de interesse suscitado pelo pesquisador). Parte-se, aqui, da premissa que todas as pessoas que compõem o público de interesse (devidamente mapeado) possam opinar (e mudar de opinião) e o pesquisador tenha condição de acompanhar o reforço da opinião (ou a justificativa da mudança) em tempo real.
Capturar quais são os pontos que vêm preocupando o eleitor, como ele vê que o candidato A ou B está tratando daquele tema, em que o debate mudou sua opinião, é um desafio que vem sendo enfrentado com bastante dificuldade pelas pesquisas. Eis aqui a diferença fundamental entre escuta permanente e pesquisas pontuais: sabe-se onde a mudança aconteceu e o que motivou essa mudança (e não somente que X% pensava de uma forma e que agora somente Y% pensam assim). Cada pessoa que desejar participar teria um formulário específico. E isso permitiria tratar de forma consolidada a evolução individual do comportamento/avaliação (e não somente o posicionamento coletivo).
Uma caracterização da escuta permanente
Existem 2 tipos de pesquisa Tracking:
1) Pesquisas longitudinais (onde o pesquisador mantém contato com os membros da amostra selecionados ao longo dos ciclos). Esse tracking é um pouco diferente da escuta permanente, no sentido que existe uma amostra (e parte dessa amostra pode se renovar a cada ciclo, em função de desistência)
2) Pesquisas com amostras independentes (onde é feita uma nova amostragem a cada ciclo). Um exemplo desse tipo são as tradicionais pesquisas eleitorais.
A Escuta permanente que propomos tem alguns diferenciais:
- É possível questionar o público sobre diferentes temas ao longo do tempo (geralmente em Tracking o tema é sempre o mesmo)
- Existe a possibilidade que todos os indivíduos que desejam participar, de fato, participem (pois toda a população-alvo é cadastrada).
- Filtragens permitem identificar o grupo que mudou de opinião, e assim questioná-los de forma mais aprofundada sobre o motivo da mudança.

Evolução pode acontecer com base nas fichas individuais, nos resultados consolidados ou nos resultados considerando somente o segmento que alterou opinião/comportamento.
Artigo detalhado publicado em:
Freitas, H. F., & Costa, R. S. (2010). É chegada a hora de escuta permanente, não somente pesquisas pontuais. Revista Eletrônica GIANTI.

Publicado por Ricardo Simm Costa 











